A noite estava calma, uma brisa gélida atormentava aqueles que ainda estavam acordados. O chão estava molhado, tinha chovido durante a tarde.
João dormia profundamente, tapado com grossos cobertores, alheio ao frio que se fazia sentir na ruas e nas casas. João sonhava. Sonhava com algo que não conhecia. O mar. O jovem nunca tinha visto o mar. Ouvira relatos de alguns viajantes que passavam por ali. Comerciantes e cavaleiros, que falavam sobre o mar. Sobre a violência das ondas e de como estas empurravam grandes embarcações contra rochedos e os desfaziam como se se tratassem de pequenos galhos.
João estava sobre um desses grandes navios. Corria de um lado para o outro desviando-se dos marinheiros mal humorados. Corria, saltava e balançava-se nas inúmeras cordas que pendiam dos altos mastros que seguravam as velas. O mar ondulava suavemente debaixo do navio. Este, uma caravela de três mastros, com grandes e luminosas velas brancas rumava para sul. João sabia-o devido à posição do Sol. Era algo que tinha aprendido com o seu pai. João viu-se sentado na borda do barco, olhando com atenção a água que ondulava debaixo dos seus pés e então...
...caiu ao mar...
... e acordou sobressaltado. Sentou-se na cama, olhando em volta, estava todo destapado. A emoção do sonho, o movimento, a excitação fizeram-no libertar-se dos cobertores que o aqueciam. Os seus pensamentos voaram novamente até ao sonho que tivera. Porque estaria ele sonhar com o mar, como conseguia ele ter um sonho tão nítido do mar que nunca vira. Voltou a deitar-se. Fechou os olhos na esperança de voltar ao barco e poder ver novamente o mar, sentir o vento que soprava daquelas águas frescas e ondulantes e acarretava um imenso cheiro a sal. João voltou a cair no sono e a sua mente voltou a sonhar.
Estava de novo em alto mar...